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1º ATELIER

Uma cadeira: um lugar onde nos sentamos e, ao mesmo tempo, ficamos presos.
A imagem chega pela mão da Irene, que a escreveu no seu poema.
Ao som da música do Eduardo, produzida com os reclusos, o desafio era escrever, partindo do lugar do outro, sobre estar preso ou ser prisioneiro.
Pensar numa prisão pode ser também, por oposição, pensar em liberdade.
E a prisão pode ser real ou um momento, como este que estamos a viver agora.
Depois um novo desafio: partindo do poema da Tânia, escrever em conjunto um cadáver-esquisito.
Fez-se em conjunto o exercício de dizer por outras palavras aquilo que estava escrito, parafrasear, reescrever de forma livre.
Partiu-se do poema da Tânia e com a ajuda de um dizer transmontano “Depois dos tralhões, vem a formiga de asas”, e usando uma estratégia de associação de ideias, criou-se um novo poema:

Tu, formiga de asas, nunca vieste depois dos tralhões
Chamavas-te Adozinda em tempos diferentes
Respiravas em tempos diferentes
Atrás de uma máscara que te protegia o rosto

2ºATELIER

Pode um poema denunciar quem somos?
Podem as palavras que escolhemos dizer mais de nós do que esperamos? Mesmo se julgamos escrever noutra voz?
Neste segundo Atelier, o Pedro começou por ler poemas escritos por cada um e falou sobre cada personalidade literária:
O Adérito é poeta de verso curto, simples e eficaz;
A Sandra, tem na terra a sua maior inspiração. Liga-se às coisas que se cheiram e se tocam.
A Armandina, é a sonhadora do grupo; A Sara é a que mais luta pelas palavras e a Marisa é a poetisa do verso solto.
A Marisa achou graça ao cunho vincado de cada um e propôs um desafio para o futuro: ler poemas de cada um e tentar adivinhar quem os escreveu.
O novo desafio lançado esta semana pede imaginação: escrever um poema sobre ou para um “ele/ela” e que não faça sentido. Poesia Surrealista.
Deixar que o pensamento flutue, sem nos preocuparmos com o resultado ou o sentido das palavras.
Tentar bombardear uma frase com palavras.
Cada um dizia ao grupo um verso. Rápido. Sem pensar muito.
Da experiência nasceu um poema:
A rosa comeu um gafanhoto/
E a dor dos picos fala/
Olha, agora sou eu/
a chegar lá/
Hoje comi cérebro estrelado
Nem sempre a poesia tem de fazer sentido. Às vezes é apenas um passeio por uma paisagem composta por diversas imagens.

3ºATELIER

A sessão começou com a leitura dos textos feitos durante a semana.
E o Pedro, tal como tinha feito no grupo anterior, foi falando sobre a personalidade literária de cada um, que começa a mostrar-se.
A Karina escreve e as suas palavras agregam-se como um cacho de uvas.
Já no caso do Fernando, as palavras vão para todos os lados.
A Paula, é a poetisa do optimismo escondido.
O João é o músico das palavras.
Para hoje o desafio lançado pede-lhes que escrevam partindo da primeira pessoa do plural: NÓS.
E foi um exercício baseado na ideia proposta pela Aldara na sua sessão anterior: pensar numa fotografia da qual cada um gostasse e se lembrasse, de qualquer altura da sua vida, e dizê-la ao grupo. Depois cada um ficou com a memória de outra pessoa e escreveu um poema, pegando na memória do outro, como se estivéssemos estado também naquele momento. A ideia era envolvermo-nos na fotografia do outro, enquanto escutamos várias músicas.
O desafio para a próxima semana é manter este exercício, mas a ideia é abrir o jogo a qualquer pessoa que conviva com eles, no Centro.