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Plataforma Zoom //

Cláudia, Cláudia M e Marta estão em frente ao mesmo ecrã. O ecrã do computador que vão partilhar nesta primeira sessão. Aldara, do outro lado do computador, pede-lhes para afastarem todos os objetos que lhes impeçam o movimento. O espaço é fundamental. Sem obstáculos. A sessão começa com o aquecer dos músculos, numa cascata de exercícios. 

O corpo, esse, é um veículo para chegar mais longe onde nem o tempo nem a distância serão obstáculos. Assim se queira. E querer, querer a sério, neste projeto, não é pouco. É muito. É quase tudo. 

A pedido de  Aldara, as três mulheres caminham em diferentes direções, a diferentes velocidades, conscientes que podem correr mas também podem ir até à paragem total, ao zero. Enquanto caminham vão dizendo memórias, iniciando sempre cada frase com “Eu lembro-me”, de forma caótica e sobrepondo-se umas às outras. Memórias do passado, da vida, de ontem. Enquanto se movem, lembram-se; e é o verbo “lembrar” que puxa a memória e lhes empurra o corpo pela sala.

Repete-se o exercício. Agora todas sentadas, em frente ao ecrã do computador. Desta vez não pode haver silêncios nem sobreposições. Eu Lembro-me!…E é como abrir uma porta. Onde nos levam as memórias? Para onde nos empurram? De que nos servem?

E quanto mais escavamos mais pó levantamos.